Saudade...
Procurei-te no pátio mas não te encontrei.
Subi então as tortuosas escadas
da torre de pedra tosca do castelo
que tu afagaras.
Sabia que te costumavas sentar naquela pequena janela,
do alto olhando o mundo.
Dia após dia aguardavas pelo cavaleiro mágico,
longínquo, exótico
que pela noite entrava nos teus sonhos.
E eu sem o saber,
todas as mesmas noites
te dizia ao ouvido palavras que não entendias.
Aconchegada num mélico torpor
sentias o calor da palma da minha mão,
pousada nos teus cabelos de seda.
A firme pressão,
sôfrega, desajeitada, triste,
expunha-te a minha dor mas tu não cuidavas ainda.
Grilhetas de aço laceravam o meu sentir.
A carne rasgava-se e eu gritava numa língua estranha.
Tu dormias, inocente.
E em cada dia seguinte acordavas
na caxemira do teu leito de princesa,
com esse suave odor a mar.
E eu
acordava banhado em lágrimas de sal.
Jorge Cabral
Bonito, heinn??

